terça-feira, 14 de março de 2017

FLAUTA FLORIDA - ELOÍ ELISABETE BOCHECO

                         do livro Tá pronto, seu lobo? E outros poemas.

Na floresta
o flautista
sua flauta 
perdeu.

Flautista
aflito
sem
a flauta!

A flauta
do flautista
uma florista
encontrou.

Com flores de
flamboyant
a flauta
a florista
enfeitou.

- Flauta
com flores,
florista?

- Não gostou
flautista?

- Floreio
a flauta
florida,
florista.
 
Flauta
florida
floresce
a canção
guardada
no flautista.

BOCHECO, Eloí. Tá pronto, seu lobo? e outros poemas. São Paulo: Formato, 2014, P. 19.


BRINCADEIRAS COM A LETRA M – ELOÍ ELISABETE BOCHECO

Atirei o M na água
para ver o m  nadar.
Os peixes pegaram o m
e levaram para o mar.

Joguei o  m para cima
para ver o m voar.
Um pássaro levou o m
para na mata morar.

Colei o m no chapéu
para o m passear comigo.
O vento carregou o m
para o moinho de trigo.

Sentei o m  na cadeira
para o m descansar.
O gato pegou o m
e engoliu sem mastigar.

Deixei o m no manjericão
para o m se perfumar.
Uma moça pegou o m
e levou para o verbo amar.


****************************  ( Do livro   “TÁ  PRONTO, SEU LOBO?

                                                                                     E OUTROS POEMAS - Formato)

BOCHECO, Eloí. Tá pronto, seu lobo? e outros poemas. São Paulo: Formato, 2014, P. 36.

RENDAR - ELOÍ ELISABETE BOCHECO

        do livro Tá pronto, seu lobo? E outros poemas

A renda
é de fio plissado,
é de seda, é de sol,
é do peixinho- dourado.


- Menina, acabou o fio:
a renda está impedida.
- Não se importe, rendeira,
eu teço com o fio da vida.

A renda
é de fio prateado,
é de seda, é de sempre,
é do peixinho do lago.
 
- Menina, por que demora?
Por que parou de rendar?
- Rendeira, não faça conta,
 fui aprender a namorar.

A renda
é de fio encantado,
é de seda, é de sol,
é do peixinho do lago.


BOCHECO, Eloí. Tá pronto, seu lobo? e outros poemas. São Paulo: Formato, 2014, P. 20-21.

NEGRINHO DO PASTOREIO - ELOÍ ELISABETE BOCHECO

Negrinho do Pastoreio
foi açoitado
por causa do cavalo
que sumiu no prado.
No meio do formigueiro
seu corpo foi jogado.

O menino foi salvo por
sua madrinha, Nossa Senhora,
que desceu do céu
 e lhe valeu nessa hora.

Negrinho apareceu
no cavalo sumido.
Nenhum arranhão
seu corpo tinha sofrido.

O fazendeiro cruel
atirou-se ao chão
ao ver o Negrinho
acenar com a mão.

Nos campos celestes,
Negrinho cavalga,
feliz da vida, e ajuda
a encontrar, na terra,
as coisas perdidas.

Negrinho do pastoreio,
acendo esta vela pra ti
e peço que me devolvas
o tempo que eu perdi...


BOCHECO, Eloí. Cobra Norato e Outras Miragens. Erechim: Habilis Press, 2016, P. 8.

ABRINDO A PORTA - ELOÍ ELISABETE BOCHECO

Se o amor bater à porta,
abra devagar.
Amor é caprichoso,
Quer só ele as regras ditar.

Se o deserto bater à porta,
pense antes de abrir.
Deserto, quando vem,
demora para partir.

Se o mar bater à porta,
será que deve atender?
O mar é imenso,
você pode se perder.

Se um sonho bater à porta,
abra sem demora,
ou o sonho dá meia-volta
e vai-se embora...

Se a poesia bater à porta,
abra como a um amigo.
Poesia é luz,
alimento e abrigo.

BOCHECO, Eloí. Tá pronto, seu lobo? e outros poemas. São Paulo: Formato, 2014, P. 40.

segunda-feira, 13 de março de 2017

O B E AS BALAS - ELOÍ ELISABETE BOCHECO




































BOCHECO. Eloí Elisabete. A de Amor A de ABC. Florianópolis: Papa-Livro, 1999, P. 5.

domingo, 12 de março de 2017

AMOR-PERFEITO (ELOÍ ELISABETE BOCHECO)

BOCHECO, Eloí Elisabete. Cantorias de Jardim. São Paulo: Paulinas, 2012, P. 13.

quarta-feira, 1 de março de 2017

LITERATURA DE CORDEL - Ana Schirley Favero

   Literatura de Cordel é um tipo de poema popular oral e impresso em folhetos, geralmente expostos para venda. Pendurados em cordas ou cordéis, o que deu origem ao nome.
   O nome de CORDEL é original de Portugal, que tinha a tradição de pendurar folhetos em barbantes.
  Essa tradição se espalhou para o Nordeste do Brasil, onde o nome acabou sendo herdado.
   A literatura de cordel é escrita em forma rimada e alguns poemas são ilustrados com xilogravuras.
    As estrofes mais comuns são as de dez, oito ou seis versos. 
   Os autores recitam esses versos de forma melodiosa e cadenciada, acompanhados de viola.
   Os temas incluem fatos do cotidiano, episódios históricos, temas religiosos, políticos e outros. O cordel é muito usado para fazer críticas sociais e políticas. A literatura de cordel é produção típica do Nordeste, em especial nos Estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará.    

Principais cordelistas:
Patativa do Assaré,
Bráulio Teixeira,
Bráulio Bessa,
Ivanildo Vilanova,
Ariano Suassuna,
Mestre Azulão,
Arievaldo Viana Lima,
Aderaldo Ferreira Araújo,
Apolonio Alves dos Santos,
Elias A. de Carvalho,
Expedito Sebastião da Silva,
Firmino Teixeira do Amaral,
João Martins de Athayde e tantos outros...

Importante nota: Bráulio Bessa, toda sexta-feira, está presente no Programa “ENCONTRO” de Fátima Bernardes. O tema em pauta é cantado por Bráulio Bessa.  Vale a pena acompanhar. 

RIQUEZA E GRAÇA (Profª Schirley)

Leia CORDEL
na cama,
no ônibus,
no avião,
na praça.

Leia do povo
as raízes,
a alma.
Ouça a riqueza
cheia de graça.

NORDESTE INDEPENDENTE - Ivanildo Vilanova e Bráulio Tavares

Já que existe no sul este conceito
Que o Nordeste é ruim, seco e ingrato,
Já que existe a separação de fato
É preciso torná-la de direito.

Quando um dia qualquer isso for feito
Todos dois vão lucrar imensamente
Começando uma vida diferente
Da que a gente até hoje tem vivido.
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente.

Dividindo a partir de Salvador
O Nordeste seria outro país:
Vigoroso, leal, rico e feliz,
Sem dever a ninguém no exterior.
Jangadeiro seria o senador,
O casaco de roça era o suplente,
Cantador de viola, o presidente
E o vaqueiro era o líder do partido.
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente.

Em Recife o distrito industrial
O idioma ia ser “nordestinense”
A Bandeira de renda cearense
“Asa Branca” era o hino Nacional
O folheto era o símbolo oficial
A moeda, o tostão de antigamente
Conselheiro, seria o inconfidente
Lampião, o herói inesquecido.
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente.

O Brasil ia ter de importar
Do Nordeste: algodão, cana, caju,
Carnaúba, laranja, babaçu,
Abacaxi e o sal de cozinhar.
O arroz e o agave do lugar,
A cebola, o petróleo, aguardente,
O Nordeste é auto-suficiente,
Nosso lucro seria garantido
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente.

Se isso aí se tornar realidade
E alguém do Brasil nos visitar
Neste nosso país vai encontrar
Confiança, respeito e amizade
Tem o pão repartido na metade
Tem o prato na mesa, a cama quente
Brasileiro será irmão da gente
Venha cá, que será bem recebido...
Imagine o Brasil ser dividido
E o nordeste ficar independente.

Eu não quero com isso que vocês
Imaginem que eu tento ser grosseiro
Pois se lembrem que o povo brasileiro
É amigo do povo português.
Se um dia a separação se fez
Todos dois se respeitam no presente.
Se isso aí já deu certo antigamente
Nesse exemplo concreto e conhecido,
Imagine o Brasil ser dividido
E o Nordeste ficar independente.

(versão cantada por Ivanildo Vilanova) 

POESIA COM RAPADURA - Bráulio Bessa

Será mesmo que o respeito
Anda mesmo em desuso?
Pra mim soa tão confuso
Essa tal necessidade

De alguém que é diferente
Enfrentar um mar de gente
Lutando por igualdade
E talvez esta igualdade
Essa tal pluralidade
Seja mais pura vontade
De viver a liberdade
De ser só o que se é
De ser homem, de ser mulher
De ser quem você quiser
De ser alguém de verdade
Seja trans, seja transparente
Seja simplesmente gente
Mesmo que alguém lhe julgue diferente
Mesmo que você mesmo
Se julgue diferente
Eu reforço: seja gente, urgente.

Há quem nasceu pra julgar
Há quem nasceu pra amar
E é tão simples entender
De qual lado a gente tá.
E o lado certo, meu povo,
O lado certo é amar.
Amar para respeitar,
Amar para tolerar,
Amar pra compreender
Que ninguém tem o dever
De ser igual a você.
Apenas seja, enfrente esta peleja
Contra uma sociedade
Que se acha no direito
De lhe julgar com maldade.
Seja de verdade,
Afinal, da sua alma,
Do seu corpo,
E da sua identidade
É você, só você
Que possui autoridade. 

DE BRÁULIO BESSA

Outro dia observei
a construção de um ninho
vi graveto por graveto 
no bico do passarinho
parecia um engenheiro 
tão forte e tão ligeiro
mesmo tão pequenininho. 
É ali que cada filho
vai aprender a cantar
vai ver os raios de sol
ouvir a chuva pingar
até que um belo dia
vai provar da alegria
de aprender a voar.
Eu fiquei ali pensando
do que é feito nosso ninho
afinal, também nascemos
frágeis feito um passarinho
e a mãe do mesmo jeito
trabalha e estufa o peito
e constrói nosso cantinho. 
Enfrenta tudo no mundo
pra poder nos proteger 
da pra gente o de calçar,
o de vestir e o de comer
e quando o dia chegar
a gente não vai voar
mas já vai saber correr.
Vai correr no mêi do mundo
na correria da vida
vai sofrer, vai sentir medo
vai ter a alma partida
mas também vai entender
que a estrada a percorrer
não é apenas de ida. 
O ninho tá sempre ali
basta o cabra reparar
que é talvez pelo retorno
que a gente aprende a andar
que as coisas são diferentes
que às vezes andar pra frente
também pode ser voltar.
Voltar pra não esquecer
de quem nunca esquece a gente
pra se lembrar do abraço
mais apertado, mais quente
lembrar da ave mais bela
mais bonita, mais singela
mas também a mais valente.
Lembrar que cada graveto
de amor e de carinho
cada folha, cada galho
preparam o seu caminho
lhe deram sabedoria
pois já já será o dia
de fazer seu próprio ninho.

Marcos Vinicius da Cruz de Mello Moraes - (Profª Schirley)

Simplesmente
VINICIUS  DE  MORAES.
 
Escritor,
Compositor,
Diplomata,
Boêmio.

Transgrediu
limitações
impostas
pela cultura
da época.

Falou do amor
pelas mulheres,
pela vida,
pelas pessoas
e pelo mundo.

Rosa de Hiroshima
e Garota de Ipanema,
sentimento,
amor,
que ressoa:
POEMA-AMOR.

GAROTA DE IPANEMA - Vinicius de Moraes e Tom Jobim



ROSA DE HIROSHIMA - Vinicius de Moraes e Tom Jobim