quinta-feira, 27 de julho de 2017

MEMÓRIA E REVERÊNCIAS (Profª. Schirley)

           As Escolas de Capinzal foram e são palco de ricas e importantes histórias na trajetória da Educação. A que desejo destacar, neste momento, é a história da Biblioteca “CRUZ E  SOUZA, da Escola Pública Estadual BELISÁRIO PENA”.  Tenho por esta história uma memória afetiva e respeitosa.
         Dá para imaginar o que significou a implantação e inauguração dessa biblioteca, no ano de l968, quando os professores não tinham outro auxílio a não ser o livro didático, então adotado?
           Para a felicidade e enriquecimento intelectual dos professores e dos alunos, que ali lecionavam e estudavam, brilhou uma LUZ intensa. Eis que surge uma equipe de professores e mesmo alunos, com outra ótica sobre o processo ensino-aprendizagem. Esta equipe se engajou de corpo e alma na implantação de um centro dinâmico que é considerado o “coração da escola”- a BIBLIOTECA  ESCOLAR.
            A biblioteca é, sem sombra de dúvida, a ALMA DA  ESCOLA.  Ela deve atuar em consonância com a sala de aula. O acervo diversificado de livros literários e de outros gêneros deve participar em todos os níveis e momentos do processo de desenvolvimento curricular.  Além de diversificado, deve ser organizado, acessível a alunos e professores.

            Como a escola não possui documentos da história inicial desta biblioteca, foram as pessoas que mais estiveram  presentes na escola, durante anos e anos,  que fizeram relatos e apresentaram fotos da época passada. A bibliotecária de hoje, apresentou os livros de registro  e de campanhas a favor da dinamização do acervo.

            A professora Sirlene Soccol Dambrós, uma das alunas, na época de 1968, esteve engajada, neste acontecimento de grande louvor.

            Assim, resumidamente, ela relembrou: “Em dezembro de 1968, foi inaugurada a Biblioteca “CRUZ E SOUZA”, tendo como padrinho o Sr. Silvio Santos, um dos maiores doadores de livros. Foram muitos meses, muitas horas de trabalho intenso, na classificação e restauração dos livros literários. Foram muitos sábados (à tarde) e muitas manhãs de domingos, sob a coordenação do incansável e admiradíssimo professor Paulo Bragatto Filho.  Lembrou, também, os que mais se envolveram: os alunos Luiz Carlos Bof, Paulo Britto, Mafalda Contessoto, Inês Dias, Loreno Siviero e outros...
            Lembrou, ainda, da eleição da primeira diretoria:
Supervisor: Profº. Paulo Bragatto Filho
Presidente : Profª. Holga Brancher
Vice-Presidente: Profª . Wanda Bazzo
Tesoureiro: aluno Luiz Carlos Bof
Secretária: aluna Sirlene Soccol  (exercendo, também, a função de bibliotecária)

Conselho Consultivo: Profª Olga Manfredini
                                        Aluna Mafalda Contessoto
                                        Aluno Nélito Colombo

            Com um mês de existência, a Biblioteca já possuía seu Regimento Interno (elaborado pelo profº. Paulo Bragatto Filho) e aprovado em Assembleia Geral. O acervo já contava com aproximadamente 800 livros, incluindo alguns periódicos.”

Em 1968, a Biblioteca CRUZ E SOUZA era um espaço pequeno, mas convidativo.

            A Biblioteca  estava viva. Para continuar com vida, precisou ser regada, implementada.
           Segundo relatos das professoras Maria Luiza Morosini e Maria Lucinda Corcetti que estiveram por mais de vinte longos anos, fazendo parte da equipe gestora da Escola “Belisário Pena”, confirmaram que todos os diretores e diretoras, professores, demais funcionários, alunos e pais que escreveram a história desta casa de ensino e, também, a comunidade capinzalense, sempre elegeram a biblioteca como centro de todo o processo educativo. Tanto o espaço físico como o acervo bibliográfico foi motivo especial de aprimoramento. No passado foi uma pequena semente.
  
       Hoje, ela está assim, conta com um acervo de 25.000 (vinte e cinco mil) obras aproximadamente. Pais, alunos, voluntários e, principalmente, professores de Língua Portuguesa sempre estiveram engajados na prática da leitura. Devo dizer que a professora Maria Luiza, que exerceu por mais de vinte anos a função de bibliotecária, sabe muito bem de tantas campanhas, tantas lutas em prol do crescimento desta biblioteca. Ela sempre enfatizou que todo o corpo docente, a APP, os alunos e a comunidade sempre foram o sustentáculo desta linda história de incentivo à leitura e à cultura, com o engajamento dos diretores e de patrocinadores.









       Esta história mostra que a semente, plantada e regada com dose de amor, germina, brota, floresce, cresce e merece aplausos e reverências. Tenho total convicção de que quem usufruiu e continuou a implementar esta história sente-se feliz em poder ter partilhado desta semeadura de amor incondicional para a formação sentimental e integral dos filhos desta Terra.  Mil vezes parabéns à GRANDE  EQUIPE.







        Não posso deixar de relembrar do verso da escritora Eloí Elisabete Bocheco no poema “Mutirão Poético”:

            Ela que estudou nesta escola, fez parte desta luta em prol do livro, assim repetiria: “QUE  MUTIRÃO  DE  MUITAS  MÃOS  E  CORAÇÕES!!!”
            Desde 1968 – por muita gente que tem a missão de semear cultura, conhecimento, criatividade, imaginação, sensibilidade e muita informação. 


            Repito:  “QUE  MUTIRÃO  DE  MUITAS  MÃOS  E  CORAÇÕES”!!!

quinta-feira, 1 de junho de 2017

VENHA COMIGO!!!

LEIA COM ATENÇÃO...

VALE A PENA REFLETIR - profª Schirley

               O estudo da gramática no Ensino de Língua Portuguesa está, há muito tempo, considerado obsoleto. Tanto pelas autoridades neste assunto, como pelos professores que têm outra ótica e reconhecem a língua como construção social.
            Hoje, reduzir o ensino de língua à Gramática Normativa é pouco produtivo. Não são as nomenclaturas que aumentarão a nossa performance linguística, mas a reflexão e o uso da língua. De nada adianta saber o que é uma oração subordinada adverbial temporal, se não se confere a essa construção uma prática, marcada pela semântica e pelo contexto. Grande parte dos livros didáticos ainda insistem em exigir do aluno que “retire os substantivos abstratos do texto.”
            Segundo Irandé Antunes, falar em Gramática Contextualizada é um tanto redundante, porque a linguagem é interação e só ocorre se houver um objetivo de comunicação. Todos os professores de qualquer disciplina, e, principalmente, os professores de Língua, precisam refletir sobre as propostas de ensino. Devem questionar o que concebem como gramática, quando visam ensiná-la. A que contexto se aplica? Oral, escrito, formal, informal? Quais são os usos?
            O acesso constante aos vários tipos e gêneros textuais devem ser a prioridade garantida aos alunos. Assim sendo, os discentes serão capazes de interpretar qualquer texto e de lograr êxito nas variadas situações de comunicação.
            Ainda, são poucos os profissionais que inserem o texto como protagonista da aula de Língua Portuguesa. Geralmente, as aulas são mais ocupadas com análises sintáticas e morfológicas de frases descontextualizadas. As atividades devem se voltar, essencialmente, aos inúmeros gêneros textuais, ao desenvolvimento da oralidade, com a ampliação do repertório vocabular, sempre no contexto da vivência circunstancial.
            O que se argumenta não é para defender a abolição da norma culta, mas que essa deve se pautar na observação dos usos orais e escritos da atualidade, nos vários âmbitos da cultura letrada. A língua está em constante mudança. Desconsiderar isso é ser retrógrado, é contrariar o princípio de que nossa experiência de linguagem está ancorada na vontade de inserção em grupo social.
            Portanto, o objetivo dos professores, de qualquer disciplina, deve ser ampliar as habilidades das linguagens: da matemática, da história, da ciência, da língua portuguesa e demais. A escola precisa garantir condições para que o aluno atinja os usos sociais da língua na forma e no modo em que precisamos recorrer a ela em diferentes contextos.


            Referência bibliográfica: texto de Leo Barbosa (professor e poeta) Publicado no

                                                                                         Correio da Paraíba-2014).     

Encantador!!!

Amigos leitores, vocês já conhecem o novo livro da escritora Eloí Elisabete Bocheco? 
É este aqui:

Começa assim:


Conheça todo o livro. Ele é indicado para começar a alfabetização na linguagem matemática. Este livro, além de contextualizar a matemática inicial, é super recomendado pelo valor da interdisciplinaridade. Matemática na poesia! Números articulados com as palavras poéticas! É um primor de livro!

            É um livro encantador, poético, lúdico, fascinante, divertido, inteligente. Podemos dizer que este livro é um professor. Ele explica, através das palavras  bem tecidas e rimadas e com as imagens combinantes e engenhosas, a linguagem matemática.

            A matemática
            não é um bicho papão.
            É uma linguagem,
            que bem entendida,
            é prazerosa e divertida.
            E dentro da poesia,
            é pura alegria.

           

            Vale a pena adquirir. Toda escola deve tê-lo como ferramenta lúdica para uma aprendizagem, sem trauma com a dita matemática inicial. É encontrado na Editora Cuca Fresca. É só acessar... Também em livrarias...

MATEMÁTICA - É LER, INTERPRETAR, PENSAR E RESOLVER

SUBTRAÇÃO  (Manuel Bastos Tigre)         BICHARADA MACHUCADA
                                                                                                       (Joelma da Costa)
Eu sou a subtração                                              O sapo Josué
É diminuir o meu fim.                                         Tem quatro feridas no pé.
Saibam que essa operação
Não tem segredos para mim.                               O urso Rodrigo
                                                                              Tem um machucado no umbigo.
Dez menos sete são três;
Seis menos dois, quatro são.                                 O macaco Manuelão
E, de quatro, tirar seis,                                          tem cinco cortes em cada mão.
Pode ser? Não pode, não!
                                                                                Todo corte, ferida ou machucado
Mas infeliz de quem ousa                                       com bandeide precisa ser tratado.
Cometer o crime feio                                              Pra esses doentes cuidar, de quantos
De subtrair uma cousa                                             curativos vamos precisar?
Que pertence ao bolso alheio.

            ADIÇÃO  ( Manuel Bastos Tigre)                       PROBLEMAS ( Manuel B. Tigre)

Eu sou a adição, reúno                                            Sabendo que Cascão utiliza o elevador
As parcelas e, afinal                                                 de seu prédio 5 vezes ao dia e Magali
Como sou um bom aluno                                        16 vezes por semana, calcule:
Depressa encontro o total.
    1)   Quantas vezes por semana cascão
Quatro mais cinco são nove;                                      utiliza o elevador?
Mais treze são vinte e dois.                
E se quiserem que eu prove,                                    2) Em 30 dias, quantas vezes Cascão
A prova farei depois.                                                    terá utilizado o elevador?

A mestra nunca esquece                                          3) Quantas vezes, em 3 semanas,
Desta nunca esquece.                                                  Magali utilizará o elevador?
Ó coisas da mesma espécie
É que podemos somar.                                            4) Se dessas vezes, Magali deixar
                                                                                    de utilizar o elevador durante uma
Somando pera e mamão,                                            semana por causa do cheiro de
Uva, banana e laranja                                                 Cascão, quantas vezes o elevador
Em lugar de uma adição                                             será utilizado por ela?
Uma salada se arranja.


CONJUGAR É DESCOBRIR - Profª Schirley

Nasci, apareci, cresci,
Balbuciei, sorri, encantei,
Engatinhei, andei, corri,
Olhei, pensei, falei...

Descortinei a natureza,
Apreciei as cores,
Senti o aroma,
Distribuí suspiros.
 
Olhei ao meu redor:
O menino jogava lixo,
O rio estava poluído,
O jovem continuava no reduto,
O político perdia o atributo.

Caminhei até a praça:
O camelô anunciava o produto,
O acrobata distribuía sonhos,
O aposentado embalava a saudade,
O caminhante ventava com a vida.

Li o jornal e a revista,
Interpretei a escrita,
Comunguei com a ideia:
O mundo será bonito,
quando não houver mais conflito.

quarta-feira, 31 de maio de 2017

OLÁ, LEITORES AMIGOS DESTE BLOG!

            Estou de volta com mais assunto. Mas devo dizer que não sou escritora, contudo, minha alma se alegra, quando conecta com a alma dos meus leitores. Quando editei meu blog: leiturasementevital.bolgspot.com, a minha intenção foi homenagear e declarar meu grande respeito pelos escritores que possuem a arte de manter o encontro de almas. Também expressar meu amor incondicional pela literatura literária.
            Se você gosta de ler, venha comigo. Ouça a voz da minha alma.  Oxalá, alimente e estabeleça uma maior compreensão  para a sua ação de vida com alma e coração.
            Os textos a seguir foram escritos com sinceridade, ouvindo uma voz do íntimo do coração.


            Com muito carinho e respeito: Profª Ana Schirley Bragatto Favero.

ELIAS JOSÉ - GRANDE POETA!

            Falar do poeta Elias José, só tem um jeito: declamar seus poemas, cheios de poesia, de verdade, de encantamento e de ricas vozes vindas do seu PENSAMENTO, conectado com seu coração. Coração de pessoa sensível, de olhar profundo, de atitude elegante e  sábia. Homem, de criança, o coração.

             Vamos  ler e ouvir:

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O Pato

O pato perto da porta
O pato perto da pia
O pato longe da pata
O pato pia que pia.

O pato longe da porta
O pato longe da pia
O pato perto da pata
É um pato que nem pia.

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Caixa mágica de surpresa

Um livro
é uma beleza,
é caixa mágica
só de surpresa.

Um livro
parece mudo,
mas nele a gente
descobre tudo.

Um livro
tem asas
longas e leves
que, de repente,
levam a gente
longe, longe.

Um livro
é parque de diversões
cheio de sonhos coloridos.
Cheio de doces sortidos,
Cheio de luzes e balões.
Um livro
é uma floresta
com folhas e flores
e bichos e cores.
É mesmo uma festa,
um baú de feiticeiro,
um navio pirata do mar,
um foguete perdido no ar,
é amigo e companheiro.

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                        TEM  TUDO  A  VER

A poesia
Tem tudo a ver
com tua dor e alegrias,
com as cores, as formas, os cheiros,
os sabores e a música
do mundo.

A poesia
tem tudo a ver
com o sorriso da criança,
o diálogo dos namorados,
as lágrimas diante da morte,
os olhos pedindo pão.

A poesia
tem tudo a ver
com a plumagem, o voo e o canto,
a veloz acrobacia dos peixes,
as cores todas do arco-íris,
o ritmo dos rios e cachoeiras,
o brilho da lua, do sol e das estrelas,
a explosão em verde, em flores e frutos.

A poesia
_ é só abrir os olhos e ver_
   tem tudo a ver
    com tudo.

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                        AS  TIAS
A tia Catarina
cata a linha.

A tia Teresa
bota a mesa.

A tia Ceição
amassa o pão.

A tia Lela
espia a janela.

A tia Cema
teima que teima.

A tia Maria
dorme de dia.

A tia Tininha
faz rosquinha.

A tia Marta
corta batata.

A tia Salima
fecha a rima.

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        A  CASA  E  O  SEU  DONO

Essa casa é de caco
quem mora nela é o macaco.

Essa casa tão bonita
quem mora nela é a cabrita.

Essa casa é de cimento
quem mora nela é o jumento.

Essa casa é de telha
quem mora nela é a abelha.

Essa casa é de lata
quem mora nela é a barata.

Essa casa é elegante
quem mora nela é o elefante.

E descobri de repente
que não falei em casa de gente.

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                        NAS  RUAS  DA  CIDADE

Lá na rua 21,
o pipoqueiro solta pum.

Lá na rua 22,
O português diz: pois-pois.

Lá na rua 23,
João namora a bela Inês.

Lá na rua 24,
a Aninha tirou retrato.

Lá na rua 25,
caiu um barraco de zinco.

Lá na rua 26,
o sorveteiro quer freguês.

Lá na rua 27,
Pedro chama a prima Bete.

Lá na rua 28,
a Verinha vende biscoito.

Lá na rua 29,
a molecada só se move.

Lá na rua 30,
paro, pois a rima já não pinta.


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PALAVRA PRATICADA - Profª Schirley

                O menino Ryan,
                lá da Califórnia,
                com apenas sete anos,
                pouco falou,
                apenas pensou e praticou.
               
                Ryan, uma criança!
                Não pensava  ser doutor,
                mas já, grande pensador!
                Na ideia, mais que adulto,
                bem atento,
                menino astuto,
                bem inteligente,
                na ação, AGENTE.

                Não era cego,
                não era surdo,
                buscava, sem sossego,
                a prática, em defesa
                da mãe natureza.
                Selecionava o lixo,
                levava para reciclagem.
                A paisagem agradecia
                humana mensagem!

                Era  mesmo  inteligente,
                bastou ouvir um conto interessante,
                que, resumido, assim dizia:
                “Não há ninguém neste mundo,
                que não saiba nada
                e não tenha algo para ensinar;
                como não há ninguém que saiba tudo,
                e não tenha algo para aprender.”

                Por isso, é necessário partilhar,
                para poder semear.
                Ele tinha esperança,
                na inovação,
                vinda do coração.

                Então, acreditem:
                “Segundo o educador António Nóvoa,
                a quarta revolução, no mundo,
                acontecerá na educação”.


"O COLECIONADOR DE SABEDORIAS”

(Gilka Girardello -  reconto – versão de conto jamaicano)

            Contam, na Jamaica, que no tempo antigo, antes de o mundo ser mundo, vivia um ser meio gente meio aranha chamado Anansi.
            Pois,  um dia, Anansi inventou de querer guardar só para ele todas as sabedorias que existiam. Arranjou um grande pote de barro, amarrou nele uma tira de couro e passou-a por trás do pescoço, para que o pote ficasse dependurado na frente do seu corpo, e saiu pelo mundo. A cada vez que ouvia alguém dizendo uma coisa sábia, ele a recolhia e jogava dentro do pote: póc!
            Por muito tempo, Anansi andou pelo mundo de ouvido atento. Alguém falava uma sabedoria e, pronto, lá ia a sabedoria- póc!- para dentro do pote. No começo, ele ouvia sabedorias por todo lado, e o pote ia enchendo ligeiro: póc! póc! póc! Aqui: póc! Ali: póc-póc! Ali mais adiante: póc-póc-póc!
          Só que, aos poucos, as sabedorias  começaram a ficar mais raras. Póc...póc... póc... E ele andava pelo caminho, carregando aquele pote, horas e mais horas, dias e mais dias, sem escutar nenhumazinha só. Até que, lá pelas tantas, ouvia uma coisa sabida e... póc! Lá ia ela para dentro do pote junto com as outras.  Chegou uma hora em que Anansi percebeu que tinha parado completamente de ouvir coisas sábias saindo da boca das pessoas. Nesse momento, ele soube que tinha reunido para si toda a sabedoria do mundo.
             Muito orgulhoso,  Anansi pensou:
            _ Onde vou esconder o meu pote de sabedorias para que ninguém as encontre e elas possam ser só minhas?
             E teve a ideia de esconder o pote no alto de uma palmeira muito alta. Começou a trepar no tronco da palmeira, mas estava difícil, porque o pote pendurado à sua frente atrapalhava os movimentos. Cada pouco que subia, escorregava e voltava para baixo de novo, todo desajeitado.
            Foi então que Anansi escutou uma risada debochada:
            _ Quaquaraquaquá! Que sujeito burro.
            Olhando para baixo, Anansi viu um menininho,  que continuou falando, entre gargalhadas:
            _ Se o senhor quer subir pra frente, por que não pendura o pote nas costas?
           Anansi, apesar de muito indignado, não deixou de perceber que aquilo que o menino tinha dito era, afinal, uma coisa sábia. Com muita raiva, atirou o pote de barro com força no chão e todas as sabedorias se espalharam pelo mundo.

            E é por isso que, desde esse dia, cada pessoa sabe de algumas coisas, mas ninguém sabe de todas.

LIBERDADE DE EXPRESSÃO - Profª Schirley

           A Constituição Brasileira prevê direitos básicos para o cidadão: direito à saúde, à educação, à cultura, ao esporte, à liberdade de expressão e outros direitos. Mas, eis que surgem, constantemente, mediante circunstâncias sociais, econômicas e políticas, questionamentos de várias naturezas. O principal, nos últimos tempos é: será que temos plenos direitos à liberdade de expressão, Já que existem tantas intolerâncias e ações de terrorismo?
            Sabe-se, através da história da humanidade, que muitas mudanças e progressos, tanto sociais, quanto políticos, ocorreram através de revoluções ou conflitos. Um exemplo disso foi a Revolução Francesa em que a Aristocracia vivia em um luxo extremo e tinha poder absoluto, enquanto o povo vivia na pobreza, com fome, sem a liberdade de se expressar. Foi com a revolução que o cenário mudou para o que conhecemos hoje, onde todos têm direitos e nascem livres.
            Não foi diferente, aqui, no Brasil, com o movimento da Semana da Arte moderna e com a revolução de 1964. Muitos brasileiros foram presos, torturados, exilados e até mortos, em nome da democracia e da liberdade de expressão. Na década de 70 e 80, o jornal “O Pasquim” também sofreu muita repressão e houve muitas prisões de dirigentes, escritores e artistas, por fazerem oposição ao Regime Militar. Esse Jornal era o porta-voz da indignação social brasileira.
            Os intelectuais, os atores, músicos, escritores da literatura, tanto literária, quanto informativa, deixam em suas obras, sejam livros, romances, novelas, peças de teatro, músicas e outros gêneros, espaços vazados explícitos ou implícitos, os reclames, os protestos, as indignações sobre as injustiças, a corrupção, as diversidades, enfim, sobre os desmandos políticos a favor, apenas, de uma minoria, implantando, cada vez mais, as distâncias culturais, sociais e econômicas.

            Portanto, a liberdade de expressão deve ser um direito de todos, praticado, livremente, através da imprensa escrita ou falada, sempre com responsabilidade e verdade. O livre exercício do direito de opinar, criticar, caricaturar e denunciar exige reflexão e ética. É direito de todos se rebelar contra as desigualdades , contra a corrupção, contra as injustiças, enfim, contra as distâncias culturais, sociais e econômicas, tão cruéis e subumanas.  

MULTIPLICAR OU DIVIDIR? - Profª Schirley

        O que é mais plausível e humano? Adotar uma criança ou um animal de estimação?  Esta pergunta é feita por centenas e centenas de pessoas. Há dezenas de questionamentos e posições diferentes sobre o assunto. Os assuntos são diferentes ou parecidos? E as responsabilidades  entre as duas posições?
            É como Cecília Meireles fala em seu poema “Ou Isto Ou Aquilo”? Adota- se uma criança que vive na rua e passa fome e frio ou um cachorro que vive perambulando e ganha restos de comida encontrados nos lixeiros? Ou é possível ter entendimento e acolhimento para os dois?  Há quem argumenta que animal de estimação deve ser bem tratado e cuidado, que faz falta para companhia ou até terapia e ajuda. Há argumentos de profissionais como veterinários que afirmam, com conhecimento de causa, que cachorros e gatos, principalmente, podem transmitir algumas doenças graves. Estes animais precisam de tratamento e acompanhamento para vacinas e outros cuidados.  Há quem afirma que  animal também tem sentimentos. Adotar um animal de fato não acarreta muita responsabilidade, enquanto que adotar uma criança requer muita atenção e muito amor incondicional, muito investimento  na educação e na saúde, no vestuário e em tantas outras necessidades.
            Há quem afirma: “é mais fácil levar um animal para casa que tenha fome, que alimentar uma criança abandonada na rua”. Deve-se, no entanto, ressaltar que os assuntos são diferentes, que as opiniões e visões e responsabilidades também são diferentes. O que se destaca e se enfatiza é que criança tem uma história cheia de marcas na alma e tem grandes sonhos.
             As crianças reagem com frustrações, com desencantos, com descaminhos e podem se tornar grandes problemas no seio da família e da sociedade, quando agredidas, mal amadas, sem amparo e sem um porto seguro.  Não se deve esquecer que as crianças serão os homens de amanhã... o nosso futuro... quanto mais se faz pelas crianças e pela sua educação e acolhimento, melhor futuro , o mundo terá.
            Se me perguntassem sobre o assunto, minha resposta seria bem objetiva: “Não  tenho predisposição para adoção de nenhuma natureza, porque o meu amor é multiplicado pela família e pela semeadura da leitura”.

            Concorda-se que todos fazem falta no mundo, tanto os animais como as crianças, mas não se deve comparar animais a seres humanos. A lei da vida é: “fazer aos outros o que se gostaria que fizessem por nós”. Não custa amar o próximo acima de tudo, pois o amor multiplica-se, não se divide. 

sexta-feira, 24 de março de 2017

CAROS LEITORES!

         Este Blog é uma homenagem aos escritores, aos educadores, aos mediadores culturais, dos quais se fala pouco, e, são os que trabalham muito, pois estão convencidos de que os recursos culturais, de linguagem, narrativos e poéticos são tão vitais quanto a água que bebemos, o pão que comemos e o ar que respiramos.
            Dentre dezenas e dezenas de vozes de escritores renomados que escreveram e escrevem, com propriedade, sobre a importância da leitura, o que me aflorou, neste momento, foram estas:



           Paulo Freire fundamenta o diálogo no amor e aborda também a práxis, que tem como dimensões: a ação, reflexão e ação transformadora. A palavra tem, nesse sentido, um valor de transformação, transformar o mundo e aos homens. E para libertar os oprimidos de sua condição de opressão, utiliza-se do diálogo. Sendo a palavra, um direito de todos, e não um privilégio como muitos defendem, e uma ação amorosa, pois: “Não há diálogo, se não há um profundo amor ao mundo e aos homens.”
            Freire, Paulo. Pedagogia do Oprimido. 11. Ed. Rio de Janeiro: Paz e Terra. 1989. pag. 45.


     “Ato de ler, para ser qualificado de crítico, sempre envolve a constatação, reflexão e transformação de significados, a partir de diálogo- confronto de um leitor com um determinado documento escrito. Leitura sem compreensão e sem recriação do significado é pseudoleitura, é um empreendimento mecânico.”
             Silva, Ezequiel Theodoro da. Leitura & Realidade Brasileira. Porto Alegre- Mercado Aberto. 1983, pag. 99.





            “A biblioteca é o lugar de milhares de vozes escondidas nos livros que foram escritos a partir da voz interior de um autor. Quando lê, cada leitor faz reviver essa voz, que provém, às vezes, de muitos séculos atrás. Mas para as pessoas que cresceram longe dos suportes impressos, alguém tem que emprestar sua voz para que entendam aquela que o livro carrega.”
            Petit, Michéle. A Arte de Ler, São Paulo- Editora 34. 1ª edição-2009, pag. 59.


         “Precisamos de histórias, de poemas e de toda a literatura possível na escola, não para sublinhar ideias principais, mas para favorecer uma educação sentimental.
... Um professor de leitura é, simplesmente, uma voz que conta; uma mão que abre portas e traça caminhos entre a alma dos textos e a alma dos leitores. ...
            Os livros são isto: conversas sobre a vida. E é urgente, sobretudo, aprender a conversar.”
          Reyes, Yolanda. Ler e Brincar, Tecer e Cantar, São Paulo-Editora Pulo do Gato. 1ª ed. -2013, pag. 28.


         É indispensável, também, fazer referência especial às centenas e centenas de escolas, professores e bibliotecários, que, pelos Municípios e Estados por este Brasil afora, vivenciam ricas experiências, na área da leitura literária, informativa e abordagens interdisciplinares e contextualizadas.


VENHA COMIGO...

quinta-feira, 23 de março de 2017

LIVROS... MUITOS LIVROS... (Schirley)


Livros em todas as casas e escolas,
em todas as bibliotecas,
em todas as sacolas.

Livros pendurados nas árvores,
em todos os jardins e praças,
com histórias, cheias de graça.

Para encantar a alma das crianças,
livros nas salas de espera,
nos parapeitos das janelas.

Livros, bons livros,
de poemas, de crônicas, de contos,
de muitas histórias, de muitas memórias...

Acreditem:
Transformação rima com educação.
Leitura rima com cultura.
Do mundo, a salvação 
é a LITERATURA.